Página Principal .............Voltar.............

O suingue e a melodia estão de volta

Um dos grupos de maior sucesso na década de 80 se prepara para retornar e promete matar a saudade do público: os brasilienses do Finis Africae. A banda, responsável por Armadilha, uma das músicas mais tocadas na época (Andando entre cacos/ Me sinto em pedaços/ E até hoje não sei dizer/ Se está tudo acabado... ) esteve desativada entre 1990 e 1998. E nada melhor do que um disco ao vivo para marcar o coming back.

O projeto nasceu da boa receptividade do público em algumas apresentações da turma, principalmente depois de aceitarem um convite para fazer o show da festa carioca Factoring. Ninguém estava levando muita fé na volta. Ficamos chocados com a reação do pú blico, que em sua maioria não tinha nem 10 anos de idade quando a banda tinha se apresentado pela última vez!, conta o vocalista Eduardo Moraes, que lidera a empreitada ao lado de Ronaldo Pereira (bateria), Mac Gregor (teclado e guitarra), Cesar Ninne (guitarra) e Roberto Medeiros (baixo).

Fundado em 84, o grupo buscou seu nome em O Nome da Rosa, romance medieval do semiólogo italiano Umberto Eco - Finis Africae era o local secreto da biblioteca da abadia que guardava a literatura herética, justamente onde ocorriam mortes misteriosas da trama. No mesmo ano, aconteceu o primeiro registro em disc o: as músicas Ética e Van Gogh entraram na coletânea Rumores (do pequeno selo independente brasiliense Sebo do Disco), junto à faixas das bandas Escola de Escândalo, Elite Sofisticada e Detrito Federal.

Em maio de 85, o vocalista Rodrigo daria lugar a Eduardo, que, junto com o guitarrista do Finis, Zezinho Flores e Lôro Jones (guitarrista do Capital Inicial), haviam tocado na banda Virgens. A partir daí, o texto mudou muito. Ficou mais intelectual e ro mântico, conta o vocalista.

Nos shows, era comum tocarem o rock dark do Bauhaus (Kick In The Eye), mas também o clássico da discoteca Chic (Good Times). Foi dessa mistura entre o balanço e a introspecção que veio Armadilha, o grande hit que em 86 invadiu as principais rádios do País com seu clima de melancolia etílica.

A faixa era de Finis Africae, mini LP lançado também pelo Sebo do Disco. As referências de discos independentes que começaram a tocar no esquemão eram todas da MPB, não do rock, gaba-se o vocalista. O bom momento do Finis Africae foi até 89, quando, no espaço de um mês, saíram do is componentes da banda. A idéia da retomada do Finis Africae, inicialmente, era convencer a EMI - que comprou os direitos do Sebo do Disco - a relançar o material do grupo. Não houve interesse da gravadora, mas foram pintando shows no Rio, em Brasília e em eventos de secretarias de cultura.

Da intenção de trazer o repertório antigo da banda para a era do CD surgiu a idéia do Ao Vivo, gravado em show na capital federal. Além das antigas, entram no disco músicas inéditas como Acrobata, Jovens e O Homem. O CD está pronto e a banda só espera o fim das negociações com selos de médio e grande porte. O disco demorou tanto a ficar p ronto que a gente nem tem tanta pressa assim, diz Eduardo.

Animado com a volta por cima de grupos como Ira! e Capital Inicial, dois heróis do rock da sua geração, ele acha que o rock melódico com texto do Finis ainda tem apelo nesse ano de 2001. A gente consegue fazer uma música pop que não se torna muito óbvia . Falamos das coisas corriqueiras de uma forma mais elaborada, que gera uma quantidade maior de sugestões para se pensar.